Postado por Irmãs Clarissas On 17:38


Mosteiro Santa Clara - Anápolis - GO - acolherá Irmãs Clarissas vindas de todos os Mosteiros do Brasil, de 28/05 a 03/06 para um encontro de formação e celebração do Ano Jubilar da consagração de Santa Clara.
          A abertura do encontro, dia 28/05, acontecerá com a celebração da Eucaristia presidida pelo ministro provincial da Província do Santíssimo Nome de Jesus, Frei Wanderley Carvalho de Couto, OFM, que também presidirá o encerramento, dia 03/06, onde fará a abertura do jubileu de Ouro do Mosteiro Santa Clara, de Anápolis, que em 2013 completará 50 anos da chegada das Irmãs vindas de Nova York, garantindo, assim, a presença das Filhas de Santa Clara no coração do Brasil e também o Jubileu de Prata de Irmã Maria Valcy de Jesus, OSC.
         Momentos fortes durante o encontro serão as celebrações da Eucaristia e o ofício de Vésperas abertas à participação dos fieis e com a presença das Irmãs Clarissas e dos Frades Menores. Na terça-feira, dia 29/05 a Santa Missa será presidida por Dom João Wilker, OFMConv, Bispo de Anápolis.
         O Encontro de Formação, organizado pela Federação Sagrada Família, terá a participação dos formadores Frei Sérgio dal Moro, OFMCap, Frei José Carlos Pedroso, OFMCap e Frei Sérgio Henrique, OFM, que desenvolverão temas específicos para a vida consagrada contemplativa clariana.
         Dias 01 e 02/06, Frei Rafael Blanco, promuniálibus, falará às Irmãs sobre sua missão junto ao Ministro Geral, Frei José Rodrigues Carballo, OFM, em favor das contemplativas franciscanas e presidirá a solene celebração da conversão de Santa Clara.
         Peçamos ao Pai das Misericórdias que este Encontro, que certamente não será apenas mais um encontro, ajude-nos a não perder de vista nosso ponto de partida e seguirmos o conselho dado a nós pela própria Mãe Santa Clara, como nos alerta o Ministro Geral: “Recorde teu propósito…, retenhas o que tens, continue fazendo o que fazes, e nunca te detenhas” (2Cta, 11), Clara nos pede e, particularmente, pede a vocês, porém, com maior vigor neste ano jubilar de sua conversão ao Senhor.

         Seguindo, pois, os conselhos da “plantinha de Francisco”, assumamos como prioridade conhecer nossa vocação (cf. TestCl 4) para sermos faróis de luz em meio às trevas, sinais de esperança em um mundo desesperado, e para nutrir, a partir de dentro, com a oferta libertadora do Evangelho, um mundo sedento de sentido, como fizeram em seu tempo Francisco e Clara de Assis.
Ir. Luzinete
Delegada da Madre da Federação
http://www.ofmgoias.com.br

Franciscanos JMJ 2013

Postado por Irmãs Clarissas On 11:10






Carta do Santo Padre Bento XVI por ocasião do VIII Centenário

Postado por Irmãs Clarissas On 06:08






Carta do Santo Padre Bento XVI
por ocasião do VIII Centenário
da "conversão" e consagração de Santa Clara de Assis

Ao venerado irmão Domenico Sorrentino
Bispo de Assis - Nocera Umbra - Gualdo Tadino

Soube com alegria que, nessa diocese, da mesma forma que entre os franciscanos e as clarissas de todo o mundo, está se recordando Santa Clara com um “Ano Clariano”, por ocasião do VIII centenário de sua “conversão” e consagração. Esse acontecimento, cuja data oscila entre 1211 e 1212, completa, podemos dizer “o feminino” a graça que, poucos anos antes, a comunidade de Assis havia alcançado, com a conversão do filho de Pietro Bernardone.  E, da mesma forma como havia ocorrido com Francisco, também na decisão de Clara se escondia o gérmem de uma nova fraternidade, a Ordem Clariana que, convertida em árvore robusta, no silêncio fecundo dos claustros continua espalhando a boa semente do Evangelho e servindo à causa do reino de Deus.

Esta alegre circunstância me impulsiona a voltar espiritualmente a Assis, para refletir convosco, venerado irmão, e com a comumunidade a si confiada e, igualmente, com os filhos de S. Francisco e as filhas de Santa Clara, sobre o sentido daquele acontecimento, que também interessa a nossa geração, e atrai, sobretudo, os jovens, aos quais, dirige-se meu afetuoso pensamento, por ocasião da Jornada mundial da juventude, que este ano, segundo o costume, celebra-se nas Igrejas particulares precisamente neste dia do domingo de Ramos. 

A própria Santa, em seu Testamento, fala de sua eleição radical de Cristo em termos de “conversão” (cf. FF 2825). Quero, a partir deste aspecto, retomando o elo do discurso desenvolvido referente à conversão de Francisco em 17 de junho de 2007, quando tive a alegria de visitar essa diocese. A história da conversão de Clara gira em torno da festa litúrgica do domingo de Ramos. De fato, seu biógrafo escreve: “Estava próximo o dia solene de Ramos, quando a jovem, de fervoroso coração, foi ter com o homem de Deus, para saber o que e como devia fazer para mudar de vida. O pai Francisco lhe ordenou que no dia da festa, bem vestida e elegante, fosse receber a palma no meio da multidão e que, de noite, saísse da cidade, trocasse o gozo mundano pelo luto da Paixão do Senhor. Quando chegou o Domingo, a jovem entrou na igreja com os outros, brilhando em festa no grupo das senhoras. Aconteceu um oportuno presságio: os outros se apressaram a ir pegar os ramos, mas Clara ficou parada em seu lugar por recato, e o pontífice desceu os degraus, aproximou-se dela e lhe colocou a palma nas mãos” (Legenda Sanctae Clarae virginis, 7: FF 3168).

Havia se passado cerca de seis anos desde que o jovem Francisco havia empreendido o caminho da santidade. Nas palavras do Crucifixo de São Damião - “Vai, Francisco, repara a minha casa” -, e no abraço aos leprosos, rosto sofredor de Cristo, havia encontrado sua vocação. Daí surgiu o gesto libertador do “despojamento de suas vestes”, diante da presença do Bispo Guido. Entre o ídolo do dinheiro que seu pai terreno lhe propôs, e o amor de Deus, que lhe prometia preencher o coração, não teve dúvidas e com impulso exclamou: “De agora em diante poderei dizer livremente: Pai nosso, que estais nos céus, e não pai Pietro Bernardone» (Vida segunda, 12: FF 597). A decisão de Francisco havia desconcertado à cidade. Os primeiros anos de sua nova vida foram marcados por dificuldades, amarguras e incompreensões. Porém, muitos começaram a refletir. Também a jovem Clara, então adolescente, foi tocada por aquele testemunho. Dotada de um notável sentido religioso, foi conquistada pela “mudança” existencial daquele que havia sido o «rei das festas». Descobriu o modo de encontrar-se com ele e deixou-se envolver por seu zelo por Cristo. O biógrafo descreve o jovem convertido instruindo a nova discípula: “O pai Francisco a exortava ao desprezo do mundo, demonstrando-lhe, com palavras vivas, que a esperança neste mundo é árida e decepciona, e infundia-lhe aos ouvidos a doce união de Cristo” (Vita Sanctae Clarae Virginis, 5: FF 3164).

Segundo o Testamento de santa Clara, antes mesmo de receber outros companheiros, Francisco havia profetizado o caminho de sua primeira filha espiritual e de suas irmãs. Na verdade, enquanto trabalhava para a restauração da igreja de São Damião, onde o Crucifixo lhe havia falado, havia anunciado que aquele lugar seria habitado por mulheres que glorificariam a Deus com seu santo modo de vida (cf. FF 2826; Tomás de Celano, Vida segunda, 13: FF 599). O Crucifixo original se encontra na basílica de Santa Clara. Aqueles grandes olhos de Cristo que haviam fascinado Francisco transformaram-se no “espelho” de Clara. Não é por acaso que o tema do espelho lhe foi muito querido e na IV carta a Inês de Praga, escreve: “Olhe dentro desse espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo e espelhe nele sem cessar, o seu rosto” (FF 2902). Nos anos em que se encontrava com Francisco para aprender dele o caminho de Deus, Clara era uma menina atraente. O Poverello de Assis lhe mostrou uma beleza superior, que não se mede com o espelho da vaidade, mas que se desenvolve numa vida de amor autêntico, no seguimento de Cristo crucificado. Deus é a verdadeira beleza! O coração de Clara se iluminou com este esplendor, e isto lhe deu a coragem para  deixar-se cortar os cabelos e começar uma vida penitente. Para ela, igualmente para Francisco, esta decisão foi marcada por muitas dificuldades. Ainda que alguns familiares não tardassem em compreendê-la, inclusive sua mãe, Ortolana, e duas irmãs que seguiram sua forma de vida, outros reagiram de maneira violenta. Sua fuga de casa, da noite do domingo de Ramos à Segunda-feira Santa, foi uma aventura. Nos dias seguintes, procuraram-na nos lugares onde Francisco lhe havia preparado como refúgio e em vão tentaram, inclusive à força, fazê-la desistir de seu propósito. 

Clara havia se preparado para esta luta. E se Francisco era seu guia, um apoio paterno lhe vinha também do Bispo Guido, como sugere mais de um indício. Assim se explica o gesto do prelado que se aproximou dela para lhe oferecer o ramo, como para abençoar sua corajosa escolha. Sem o apoio do Bispo dificilmente teria sido realizado o projeto idealizado por Francisco e realizado por Clara, tanto na consagração que esta fez de si mesma na igreja da Porciúncula na presença de Francisco e de seus irmãos, como na hospitalidade que recebeu nos dias seguintes no mosteiro de São Paulo das Abadessas e na comunidade de Santo Ângelo de Panzo, antes da chegada definitiva a São Damião. Assim, a história de Clara, como a de Francisco, mostra uma característica eclesial particular. Nela se encontram um pastor iluminado e dois filhos da Igreja que se confia a seu discernimento. Instituição e carisma interagem esplendidamente. O amor e a obediência à Igreja, tão marcados na espiritualidade franciscano-clariana, aprofundam suas raízes nesta bela experiência da comunidade cristã de Assis, que não somente gerou na fé Francisco e a sua “plantinha”, mas também os acompanhou pela mão pelo caminho da santidade. 

Francisco, com razão, sugeriu a Clara sua fuga de casa no início da Semana Santa. Toda a vida cristã e, portanto, também a vida de especial consagração, são um fruto do Mistério pascal e uma participação na morte e na ressurreição de Cristo. Na liturgia do domingo de Ramos dor e glória se entrelaçam, como um tema que se irá desenvolvendo depois nos dias seguintes através da obscuridade da Paixão até a luz da Páscoa. Clara, com sua escolha, revive este Mistério. O dia de Ramos recebe, assim, seu programa. Depois entra no drama da Paixão, despojando-se de seus cabelos, e com ele, renunciando por completo a si mesma, para ser esposa de Cristo na humildade e na pobreza. Francisco e seus companheiros já são sua família. Logo chegaram irmãs também de longe, porém os primeiros brotos, como no caso de Francisco, despontaram precisamente em Assis. E a santa permanecerá sempre vinculada a sua cidade, demonstrando especialmente em algumas circunstâncias difíceis, quando sua oração salvou a cidade de Assis de violência e devastação. Disse então ás Irmãs: “Desta cidade, queridíssimas filhas, recebemos a cada dia muitos bens; seria muito injusto que não lhe prestássemos auxílio como podemos no tempo oportuno” (Legenda Sanctae Clarae Virginis 23: FF 3203).

Em seu significado profundo, a «conversão» de Clara é uma conversão ao amor. Ela já não usará mais os vestidos refinados da nobreza de Assis, mas a elegância de uma alma que se entrega totalmente aos louvores de Deus. No pequeno espaço do mosteiro de São Damião, contemplado com afeto conjugal na escola de Jesus Eucaristia, irão se desenvolvendo, dia após dia, as características de uma fraternidade formada pelo amor de Deus e pela oração, pela solicitude e pelo serviço. Neste contexto de fé profunda e de grande humanidade, Clara se converte em fiel intérprete do ideal franciscano, implorando o “privilégio” da pobreza, ou seja, a renúncia de bens, inclusive comunitariamente, que desconcertou durante longo tempo ao próprio Sumo Pontífice, ao qual, acabou se rendendo ao heroísmo de sua santidade.

Como não propor Clara, junto a Francisco, à atenção dos jovens de hoje? O tempo que nos separa da época destes santos não diminuiu sua atração. Pelo contrário, pode-se ver sua atualidade quando se compara com as ilusões e as desilusões que continuamente marcam a atual condição juvenil. Nunca um tempo fez sonhar tanto os jovens, com tantos atrativos de uma vida na qual tudo parece possível e lícito. E, no entanto, quanta insatisfação existe! Quantas vezes a busca de felicidade, de realização, termina por desembocar em caminhos que levam a paraísos artificiais, como os da droga e da sensualidade desenfreada! Também a situação atual com a dificuldade para encontrar um trabalho digno e formar uma família unida e feliz, faz surgir nuvens no horizonte. Não faltam, no entanto, jovens, que inclusive em nossos dias, acolhem o convite de confiar-se a Cristo e a enfrentar com coragem, responsabilidade e esperança o caminho da vida, também realizando a escolha de deixar tudo para segui-Lo, no serviço total a Ele e aos irmãos. A história de Clara, junto à de Francisco, é um convite à reflexão sobre o sentido da existência e a buscar em Deus o segredo da verdadeira alegria. É uma prova concreta de que quem cumpre a vontade do Senhor e confia n’Ele, não perde nada, mas encontra o verdadeiro tesouro capaz de dar sentido a tudo.

A vós, venerado irmão, a essa Igreja que tem a honra de haver dado origem a Francisco e a Clara, às Clarissas, que mostram diariamente a beleza e a fecundidade da vida contemplativa, sendo sustentáculo no caminho de todo o povo de Deus, aos franciscanos espalhados pelo mundo, a tantos jovens que andam buscando e necessitam de luz, ofereço esta breve reflexão. Espero que contribua para redescobrir cada vez mais estas duas figuras luminosas do firmamento da Igreja. Com uma saudação especial às filhas de Santa Clara do Protomosteiro e dos demais mosteiros de Assis e do mundo inteiro, transmito de coração, a todos, minha bênção apostólica.

Vaticano, 1 de abril de 2012, Domingo de Ramos.

800 anos de Santa Clara de Assis

Postado por Irmãs Clarissas On 06:07

O Pai das Misericórdias

Postado por Irmãs Clarissas On 15:05


Santa Clara na contemplação dos mistérios de Cristo viveu uma espiritualidade Trinitária, dentro dessa espiritualidade contemplou o Pai de Jesus Cristo, o Pai Celeste reconhecendo-o como Pai de toda misericórdia, assim observamos em seus escritos.

Do Pai das misericórdias recebemos a nossa vocação: “Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia  e pelos quais mais temos que agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida. Por isso diz o Apóstolo: “Reconhece a tua vocação”(Testamento de Santa Clara). 

Esse mesmo Pai revelou a Francisco a vocação  e eleição das Damas Pobres:"Por isso, queridas Irmãs, devemos considerar os imensos benefícios que Deus nos concedeu, mas, entre outros, aqueles que Ele se dignou realizar em nós por seu dileto servo, nosso pai São Francisco,  Pois, quando o santo, logo depois de sua conversão, sem ter ainda irmãos ou companheiros, estava construindo a igreja de São Damião, em que foi visitado plenamente pela graça divina, e foi impelido a abandonar totalmente o mundo,numa grande alegria e iluminação do Espírito Santo, profetizou a nosso respeito aquilo que o Senhor veio a cumprir mais tarde. Pois, nessa ocasião, subindo ao muro da igreja, ele disse em voz alta e em francês para uns pobres que moravam ali perto: Venham me ajudar na obra do mosteiro de São Damião, porque nele ainda haverão de morar umas senhoras cuja vida famosa e santo comportamento vão glorificar nosso Pai celestial em toda a sua santa Igreja. Nisso nós podemos considerar, portanto, a copiosa bondade de Deus para conosco, pois, em sua imensa misericórdia e amor, dignou-se contar essas coisas sobre nossa vocação e eleição, através do seu santo.(Testamento de Santa Clara)

O Pai celestial por sua misericórdia iluminou o coração de Clara para que a exemplo de Francisco desse início a Ordem das Irmãs Pobres:  " Depois que o Altíssimo Pai celestial, por sua misericórdia e graça, se dignou iluminar meu coração para fazer penitência segundo o exemplo e ensino de nosso bem-aventurado pai Francisco,pouco depois de sua conversão, com algumas irmãs que Deus me dera logo após a minha conversão, eu lhe prometi obediência voluntariamente.”(Testamento de Santa Clara)

Foi por graça e misericórdia desse mesmo Pai que o perfume das Damas Pobres se espalhou pelo mundo: "Foi dessas coisas que, não por nossos méritos, mas só por misericórdia e graça de quem o deu, o Pai das misericórdias, espalhou-se o perfume da boa reputação, tanto para os de longe como para os de perto."(Testamento de Santa Clara)E Passados 800 anos Inumeráveis mulheres de todo o mundo caminham até Deus guiadas pela luz de Clara. Vivendo na Igreja segundo a forma de vida do Santo Evangelho que é o próprio Cristo. Em fraternidade e pobreza realizam na clausura esta vocação evangélica.

Em sua benção Clara abençoa os filhos e filhas com as bençãos do Pai das misericórdias:
"O Senhor as abençoe e guarde; mostre-lhes o seu rosto e tenha misericórdia de vocês; volte a sua face para vocês e lhes dê a paz...

Eu, Clara, serva de Cristo, plantinha do nosso bem-aventurado pai São Francisco, irmã e mãe de vocês e das outras irmãs pobres, embora indigna,rogo a nosso Senhor Jesus Cristo, por sua misericórdia e por intercessão de sua santíssima Mãe Santa Maria, de São Miguel Arcanjo e de todos os anjos de Deus, do nosso bem-aventurado pai Francisco...

E as abençoo em minha vida e depois de minha morte, como posso, com todas as bênçãos com que o Pai das misericórdias abençoou e abençoará seus filhos e filhas no céu e na terra...

O Senhor esteja sempre com vocês e oxalá estejam vocês também sempre com Ele. Amém. 

Clara reconhece que tudo vem do Pai das misericórdias: a vocação, a graça para vivê-la, é esse mesmo Pai que continua chamando  àquelas que Ele escolheu para viver essa vocação.

Aprendamos com Clara a agradecer por tantas graças recebidas diariamente do Pai das misericórdias. Aprendamos com Clara a multiplicar o talento recebido dando a nossa resposta de amor.

Nesse VIII Centenário da Vocação de Clara da fundação da Ordem das Irmãs Pobres, reconheçamos que: “Entre outros benefícios que temos recebido e ainda recebemos diariamente da generosidade do Pai de toda misericórdia e pelos quais mais temos que agradecer ao glorioso Pai de Cristo, está a nossa vocação que, quanto maior e mais perfeita, mais a Ele é devida. Por isso diz o Apóstolo: “Reconhece a tua vocação”


Irmã Maria Rafaela da Rainha Imaculada,osc

VIGÍLIA PASCAL

Postado por Irmãs Clarissas On 10:02


VIGÍLIA PASCAL NA NOITE SANTA

 HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Queridos irmãos e irmãs!

A Páscoa é a festa da nova criação. Jesus ressuscitou e nunca mais morre. Arrombou a porta que dá para uma nova vida, que já não conhece doença nem morte. Assumiu o homem no próprio Deus. «A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus»: dissera São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (15, 50). E todavia Tertuliano, escritor eclesiástico do século III, a propósito da ressurreição de Cristo e da nossa ressurreição, não temera escrever: «Tende confiança, carne e sangue! Graças a Cristo, adquiristes um lugar no Céu e no Reino de Deus» (CCL II, 994). Abriu-se uma nova dimensão para o homem. A criação tornou-se maior e mais vasta. A Páscoa é o dia duma nova criação, mas por isso mesmo, neste dia, a Igreja começa a liturgia apresentando-nos a criação antiga, para aprendermos a compreender bem a nova. E assim, na Vigília Pascal, a Liturgia da Palavra começa pela narração da criação do mundo. A propósito desta e no contexto da liturgia deste dia, são particularmente importantes duas coisas. Em primeiro lugar, a criação é apresentada como uma totalidade da qual faz parte o fenômeno do tempo. Os sete dias são imagem duma totalidade que se desenvolve no tempo, aparecendo os dias ordenados até ao sétimo, o dia da liberdade de todas as criaturas para Deus e de umas para as outras. Por conseguinte, a criação está orientada para a comunhão entre Deus e a criatura; a criação existe para que haja um espaço de resposta à glória imensa de Deus, um encontro de amor e liberdade. Em segundo lugar, na Vigília Pascal, a Igreja fixa a atenção sobretudo na primeira frase da narração da criação: «Deus disse: “Faça-se a luz”!» (Gn 1, 3). Emblematicamente, a narração da criação começa pela criação da luz. O sol e a lua são criados somente no quarto dia. A narração da criação designa-os como fontes de luz, que Deus colocou no firmamento do céu. Deste modo, priva-os propositalmente do caráter divino que as grandes religiões lhes tinham atribuído. Não! Não são deuses de modo algum; são corpos luminosos, criados pelo único Deus. Entretanto já os precedera a luz, pela qual a glória de Deus se reflete na natureza do ser que é criado.

Que pretende a narração da criação dizer com isto? A luz torna possível a vida; torna possível o encontro; torna possível a comunicação; torna possível o conhecimento, o acesso à realidade, à verdade. E, tornando possível o conhecimento, possibilita a liberdade e o progresso. O mal esconde-se. Por conseguinte, a luz aparece também como expressão do bem, que é luminosidade e cria luminosidade. É de dia que podemos trabalhar. O fato de Deus ter criado a luz significa que Ele criou o mundo como espaço de conhecimento e de verdade, espaço de encontro e de liberdade, espaço do bem e do amor. A matéria-prima do mundo é boa; o próprio ser é bom. E o mal não vem do ser que é criado por Deus, mas existe só em virtude da sua negação. É o «não».

Na Páscoa, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Deus disse novamente: «Faça-se a luz!». Antes tinham vindo a noite do Monte das Oliveiras, o eclipse solar da paixão e morte de Jesus, a noite do sepulcro. Mas, agora, é de novo o primeiro dia; a criação recomeça inteiramente nova. «Faça-se a luz!»:     disse Deus. «E a luz foi feita». Jesus ressuscita do sepulcro. A vida é mais forte que a morte. O bem é mais forte que o mal. O amor é mais forte que o ódio. A verdade é mais forte que a mentira. A escuridão dos dias anteriores dissipou-se no momento em que Jesus ressuscita do sepulcro e Se torna, Ele mesmo, pura luz de Deus. Isto, porém, não se refere somente a Ele, nem se refere apenas à escuridão daqueles dias. Com a ressurreição de Jesus, a própria luz é novamente criada. Ele atrai-nos a todos, levando-nos atrás de Si para a nova vida da ressurreição e vence toda a forma de escuridão. Ele é o novo dia de Deus, que vale para todos nós.

Mas isto, como pode acontecer? Como é possível chegar tudo isto até nós, de tal modo que não se reduza a meras palavras, mas se torne uma realidade que nos envolve? Por meio do sacramento do Batismo e da profissão da fé, o Senhor construiu uma ponte até nós, pela qual o novo dia nos alcança. No Batismo, o Senhor diz a quem o recebe: Fiat lux – faça-se a luz. O novo dia, o dia da vida indestrutível chega também a nós. Cristo toma-te pela mão. Daqui para a frente, serás sustentado por Ele e assim entrarás na luz, na vida verdadeira. Por isso, a Igreja antiga designou o Batismo como «photismos – iluminação».

Porquê? A escuridão que verdadeiramente ameaça o homem é o fato de que ele é, na verdade, capaz de ver e investigar as coisas palpáveis, materiais, mas não vê para onde vai o mundo e donde o mesmo venha; para onde vai a sua própria vida; o que é o bem e o que é o mal. Esta escuridão acerca de Deus e a escuridão acerca dos valores são a verdadeira ameaça para a nossa existência e para o mundo em geral. Se Deus e os valores, a diferença entre o bem e o mal permanecem na escuridão, então todas as outras iluminações, que nos dão um poder verdadeiramente incrível, deixam de constituir somente progressos, mas passam a ser simultaneamente ameaças que nos põem em perigo a nós e ao mundo. Hoje podemos iluminar as nossas cidades de modo tão deslumbrante que as estrelas do céu deixam de ser visíveis. Porventura não temos aqui uma imagem da problemática que toca o nosso ser iluminado? Nas coisas materiais, sabemos e podemos incrivelmente tanto, mas naquilo que está para além disto, como Deus e o bem, já não o conseguimos individuar. Para isto serve a fé, que nos mostra a luz de Deus, a verdadeira iluminação: aquela é uma irrupção da luz de Deus no nosso mundo, uma abertura dos nossos olhos à verdadeira luz.

Por fim, queridos amigos, queria ainda acrescentar um pensamento sobre a luz e a iluminação. Na Vigília Pascal, a noite da nova criação, a Igreja apresenta o mistério da luz com um símbolo muito particular e humilde: o círio pascal. Trata-se de uma luz que vive em virtude do sacrifício: a vela ilumina, consumindo-se a si mesma; dá luz, dando-se a si mesma. Este é um modo maravilhoso de representar o mistério pascal de Cristo, que Se dá a Si mesmo e assim dá a grande luz. Uma segunda idéia, que a reflexão sobre luz da vela nos sugere, deriva do fato de a mesma ser fogo. Ora, o fogo é força que plasma o mundo, poder que transforma; e o fogo dá calor. E aqui se torna novamente visível o mistério de Cristo: Ele, a luz, é fogo; é chama que queima o mal, transformando assim o mundo e a nós mesmos. «Quem está perto de Mim, está perto do fogo»: assim reza um dito de Jesus, que nos foi transmitido por Orígenes. E este fogo é ao mesmo tempo calor: não uma luz fria, mas uma luz na qual vêm ao nosso encontro o calor e a bondade de Deus.

O Precónio, o grande hino que o diácono canta ao início da Liturgia Pascal, de modo muito discreto chama a nossa atenção ainda para outro aspecto. Lembra-nos que o material do círio se fica a dever, em primeiro lugar, ao trabalho das abelhas; e, assim, entra em cena a criação inteira. No círio, a criação torna-se portadora de luz. Mas, segundo o pensamento dos Padres, temos aí também uma alusão implícita à Igreja. Nesta, a cooperação da comunidade viva dos fiéis é parecida com o trabalho das abelhas; constrói a comunidade da luz. Assim podemos ver, no círio, também um apelo dirigido a nós mesmos e à nossa comunhão com a comunidade da Igreja, que existe para que a luz de Cristo possa iluminar o mundo.

Neste momento, peçamos ao Senhor que nos faça sentir a alegria da sua luz, de modo que nós mesmos nos tornemos portadores da sua luz, para que, através da Igreja, o esplendor do rosto de Cristo entre no mundo (cf. LG 1).